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Família de brasileiros acusados de possuírem documentos irregulares desabafa e esclarece os fatos

A família de brasileiros CARDOSO DE OLIVEIRA, que se encontra no centro de abrigo para imigrantes aqui na Bélgica, concedeu uma entrevista exclusiva para a revista ABclassificados e esclareceu a versão dos fatos que os levaram a estarem nesta difícil situação. 

Flavio Cardoso de Oliveira, o patriarca da família, chegou a Portugal no ano de 2013, onde encontrou trabalho e, segundo ele, sempre pagou todas as leis sociais do país. Flavio nos conta que a única pessoa que possui a residência de Portugal é ele; sua esposa e os filhos ainda não obtiveram os papéis, portanto, eles apenas possuem os documentos brasileiros, diferente de todos os boatos que circulam erroneamente pelas redes sociais. 

O pai da família nos dá todos os detalhes: 

– Eu contratei uma advogada em Portugal para ajudar na minha regularização lá, e me sinto completamente enganado, pois ela não concluiu o trabalho devidamente. Atualmente, nós contratamos outros advogados na Bélgica para demonstrar nossa inocência e limpar meu nome e de toda minha família. Nossos advogados daqui da Bélgica já entraram em contato com a embaixada portuguesa, eles já estão traduzindo todos os documentos e tudo será esclarecido, pois tenho comprovantes de pagamentos de tudo, e também mensagens que demonstram minha conversa com essa advogada de Portugal. Minha família não tem nada a ver com isso, tenho três filhos completamente integrados no país e sinto que o governo belga está fazendo de tudo para deportar eles para o Brasil e eu para Portugal, só não fizeram ainda porque é ilegal separar a família. 

Faz apenas seis meses que consegui minha nacionalidade portuguesa, quando fui dar entrada na comuna com a nacionalidade, foi quando começou toda a confusão, pois minha esposa já havia dado entrada antes com o passaporte brasileiro dela e a certidão belga de nascimento dos nossos filhos, pois eles nasceram aqui; apresentou também todos os comprovantes que eles vivem aqui desde 2008, comprovantes de energia, fatura de hospital, proposta de contrato de trabalho, entre outras coisas, porém foi negado. 

Quando saiu minha nacionalidade portuguesa, pensei, agora estamos tranquilos porque posso dar entrada novamente na comuna, só que, desta vez, de todos juntos, minha família entra na minha charge e pronto! Engano meu, isso foi que desencadeou toda essa situação na qual nos encontramos. Eu tenho todos os comprovantes das leis sociais, contrato com empresa portuguesa, sou assalariado, IRS, declaração da empresa que trabalho. Sou apenas mais uma vítima de advogados incompetentes, que infelizmente existem muitos por aí. 

“Somos pessoas trabalhadoras, sinto que é mais por questões políticas do que qualquer questão legal, eles estão tentando de todas as maneiras dificultarem a nossa defesa, mas não vamos desistir”, conclui Flavio Cardoso de Oliveira.  

Elsymeire Cardoso relata a parte da história quando foi realizar inscrição na comuna de Rode-SintGenesius – Bélgica: 

– Em junho deste ano, fui à comuna fazer minha inscrição e a dos meus filhos, como explicou meu marido acima, com todos os comprovantes e documentos solicitados, incluindo uma proposta de trabalho. Gostaria de relatar que não fomos bem recebidos e isso já me deixou muito preocupada. Rapidamente, em duas semanas, recebi uma carta com a resposta negativa e nos convidando a deixar o país. Mas, segundo nossos advogados, a comuna não enviou para o ministério dos estrangeiros minha solicitação de inscrição com os comprovantes com a data antiga, o mais importante, pois era isso que demonstrava o total de anos que residimos aqui, incluindo a última comuna de onde viemos. Me senti muito prejudicada. Após um mês, meu marido havia recebido a nacionalidade portuguesa, ele foi lá tentar novamente a inscrição, eles devem ter suposto que o documento dele era falso, pois o meu e dos meus filhos já havia há pouco sido negado. Alguns dias depois, meu marido saiu as 5h da manhã para trabalhar, quando a polícia entrou brutamente e me levou com meus filhos para a delegacia, liguei imediatamente para meu marido que em seguida se apresentou e entregou o documento português juntamente com o anexo 19. Ficamos mais de seis horas em uma sala sem nada, após todo esse tempo, nos interrogaram em francês, mas os documentos do nosso depoimento estavam digitalizados em neerlandês, e eu me recusei a assinar, o policial se alterou, não nos deixaram chamar um advogado, nem tradutor, nem nada. Senti-me pressionada, com crianças, sem comer, cansada e acabei assinando. Em um desses documentos, estava escrito que nós assinávamos a nossa culpa e que aceitávamos a deportação. No papel que praticamente nos “obrigaram” a assinar, eu ficaria dois anos sem poder voltar no país e meu marido quatro anos.  

Nós queremos o direito de defesa, pois temos prova da nossa inocência, meus filhos nasceram aqui e eles disseram que estamos aqui apenas há um ano, muitas coisas que não estão corretas e a justiça será feita. 

O perigo das informações publicadas na internet sem a apuração dos fatos 

Ao conversarmos com Elsymeire Cardoso, nos deparamos com uma situação muito preocupante: a família recebeu vários insultos e foi gravemente ofendida verbalmente em algumas redes sociais por culpa de informações não verdadeiras. Pontanto, fica um alerta para todos: isso é grave e pode colocar em risco não somente a integridade das pessoas como também a vida das mesmas. 

O dever do jornalista é apurar os fatos e possuir a autorização dos envolvidos para publicar suas informações em qualquer veículo de comunicação. 

“Existem muitos boatos sobre nossa situação circulando pelas redes sociais que não são verdade, foi publicado que estávamos presos, isso é falso, estamos no centro de imigrantes, não é prisão, chegaram a dizer em um dos comentários que nós somos uma família de bandidos, que não deveríamos ser deportados, e sim morrer, isso é um absurdo, nossa comunidade deveria se unir e não condenar sem ao menos saber a nossa versão da história, pode acontecer com qualquer família e está acontecendo, famílias inteiras sendo deportadas, sem direito a defesa”, desabafa Elsymeire Cardoso. 

 

Por Tatiana Amaral

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