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Violência de gênero e COVID-19 

Violência contra as mulheres cresce com isolamento social e satura linhas telefônicas na Bélgica 

Devido ao isolamento social imposto pelos governos para impedir a disseminação da COVID-19, dados preocupantes demonstram que a violência doméstica e os casos de feminicídio cresceram nos últimos meses. 

Segundo a ONU MULHERES, estima-se que, nos últimos 12 meses, 243 milhões de mulheres e adolescentes de 15 a 49 anos foram submetidos à violência sexual e/ou física por algum parceiro íntimo. Na França, por exemplo, os relatos de violência doméstica aumentaram 30% desde o início do isolamento. 

Na Bélgica não é diferente; de acordo com as informações do meio de comunicação RTBF, as linhas diretas do sistema coordenado de combate à violência contra a mulher no país estão saturadas. 

O projeto Ecoute Violences Conjugales  possuiu  um número gratuito disponível  24 horas, 7 dias na semana: 080030030.       

O sistema Ecoute Violences Conjugales foi criado no ano de 2008 pelo ministro Didier Donfut (responsável pela saúde, ação social e oportunidades iguais). O objetivo desse sistema é fortalecer a luta contra a violência doméstica na Bélgica.  

Foram registradas 22.532 chamadas de denúncias desde 2012. 

O programa também oferece acolhimento em quartos privativos em casas compartidas acompanhadas ou não de crianças. 

O que é feminicídio? 

Feminicídio é o termo usado para denominar assassinatos de mulheres cometidos em razão do gênero.   

A palavra feminicídio é oriunda do termo femicídio, cunhado pela socióloga sul-africana Diana Russell em 1976 durante o Tribunal Internacional de Crimes contra Mulheres, ocorrido na Bélgica. 

No Brasil, o termo surgiu pela primeira vez em 2012, na Comissão Parlamentar Mista da Violência contra a Mulher, porém se tornou crime a partir da Lei 13.104 de 2015, promulgada pela presidenta Dilma Rousseff. O feminicídio é considerado um homicídio qualificado e está na lista de crimes hediondos, com penas mais altas. Para um homicídio simples, a pena varia entre 6 e 20 anos. Já para feminicídio, a pena varia de 12 a 30 anos. 

Como identificar um relacionamento abusivo?  

A psicóloga Vera Pires nos explica que existem vários tipos de violência: psicológica, emocional, verbal, financeira, sexual e física, dentre outras. 

Vera ressalta a importância de não culpar a mulher, pois ela já está passando por grandes problemas, como dúvidas, confusão mental, ansiedade, insegurança e esperança de que o parceiro mude e os abusos cessem. 

Geralmente, o agressor controla e molda o comportamento da vítima como ele gosta que seja, causando assim interferência nas relações externas como, por exemplo, com os amigos, família, no trabalho etc. 

Como sair de um relacionamento abusivo sem colocar em risco a própria vida? 

“Quando houver a decisão de sair, a vítima, antes de comunicar ou enfrentar o agressor, deve se cercar do máximo de segurança possível que o seu grupo social possa oferecer: amigos, refúgios, proteção policial, jurídica, apoio terapêutico e grupos de ajuda”, ensina a psicóloga Vera Pires. 

Um conselho: nunca se cale diante de uma agressão, conte para alguém que confie, busque ajuda. 

Brasileira residente em Bruxelas relata como conseguiu se libertar e encoraja outras mulheres a não se calarem 

Renata Silva, 31 anos, natural de São Paulo, nos concedeu uma entrevista com o intuito de encorajar outras mulheres a não temerem e não se calarem diante das agressões dos parceiros, sejam elas físicas ou verbais. 

ABclassificados– Relate sua história para que outras mulheres não se calem diante de relacionamentos abusivos: 

Renata Silva- Quando me casei, era muito jovem, acreditava que o amor seria para toda a vida e o que o casamento duraria para sempre; no início foram ofensas verbais, o quê é tão cruel quanto uma agressão física, depois foi piorando e, podem acreditar, quem agride uma vez, fará sempre. Muita gente se surpreenderá com o meu relato, porque sempre guardei tudo em segredo, por vergonha, talvez, dos amigos, da família… A gente se sente tão mal que acabamos esquecendo do nosso próprio valor, da nossa capacidade, da nossa independência, todos os dias me pergunto porque não saí fora antes, porque aguentei tantos anos, foram 12 anos, mas só quem passa por isso pode entender como é difícil se libertar de um relacionamento abusivo, pois você acaba perdendo sua própria voz, literalmente, se anulando como pessoa. Hoje eu sou feliz e agradeço a Deus todos os dias por ter me dado mais essa oportunidade, pois muitas vezes cheguei a pensar que seria o meu fim. Gostaria de dizer a todas as mulheres que estão passando por isso para não se calarem, não desistam de vocês, vocês não estão sozinhas, quando nos calamos, permitimos que esses crimes se multipliquem”, finaliza Renata Silva. 

Brasileira morta por seu esposo em Berloz: Jessika, 27 anos, foi esfaqueada 

Ele matou a companheira, mãe de quatro filhos. A jovem pretendia deixar o marido. O fato ocorreu no mês passado quando o seu companheiro Steven D.,  de 30 e poucos anos, esfaqueou fatalmente sua esposa Jessika O.,  com várias facadas, deixando-a sem chance de sobrevivência. A vítima tinha apenas 27 anos e o casal tinha quatro meninos: 5 anos, 4 anos e 3 anos, respectivamente. 

Nota… 

Nós da revista ABclassificados enviamos nossas sinceras condolências à família e amigos da brasileira Jéssika Oliveira 

Sem palavras! 

 

Por Tatiana do Amaral 

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